O GATO QUE RI ...
 


...como se eu fosse flor, você me cheira...

Se nesse exato momento, eu encontrasse o gênio da lâmpada mágica de Alladin e pudesse fazer um único pedido, diria sem pestanejar: “Quero ser flor que se cheire”! Verdade verdadeira. Quero ser o melhor dos seres humanos. O melhor dos amigos. Dos filhos, netos, companheiros, alunos, cidadãos, leitores, escritores, atores, artistas, românticos... Quero ser o melhor de todos!



 Escrito por Torrente às 16h29
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Agora não, Caetano...

Laura é uma personagem fascinante de Clarice Lispector. Se bem que falar em Clarice e personagens fascinantes é redundância da grossa. Mas hoje, especialmente, lembrei de Laura. Aliás, vivi momentos de Laura. O dia todo parecia que eu estava inalcançável e inatingível. Como se a vida estivesse passando na tela de um cinema abandonado e sem espectadores. Senti o tempo misturado com a esperança que não chega, como a visita ansiosamente aguardada de um parente querido. Olhei através da janela do carro que subia a serra e vi que árvore nenhuma ria. Todas choravam suas dores por serem, simplesmente, árvores. Lutei contra esse dragão que trago no meu peito. Que cospe fogo e queima minha alma. Só que mais uma vez ele me venceu. Covardemente. E, como Laura, eu estava em um trem. Que já havia partido há muito tempo. Eu sou uma árvore. De raízes escuras e frágeis. Em um solo cultivado com pouco esmero. O sol não brilha. A chuva não cai. A vaca não dá estrume. Ou seja: nem vaca para cagar! Assim como Laura, desejei obsessivamente a perfeição. Ela, a de uma rosa. Eu, a de um feto. Para chorar pela primeira vez. Olhar o mundo pela primeira vez. Rir pela primeira vez.

 

Nesses momentos, resta-me a literatura. Não só a de Clarice. Mas qualquer um que diga tudo o que eu gostaria de dizer. De repente, até classificados com suas mensagens referenciais. Resta-me também a música e o vinho. Companheiros fiéis e únicos. E eternos. Esses, sim. Ficarão para sempre. E como nos contos de fadas, felizes. (...) Fiquei quase cinco minutos pensando em um belo palavrão para deitar mais aliviado. Porém, desta vez serei sério e bonitinho.

 

Arghhhh, que bosta de texto mais esdrúxulo! Perdão, bosta não é palavrão!!!

Vamos dormir?



 Escrito por Torrente às 02h15
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O SACO EM QUESTÃO

Na minha segunda crônica no blog crônicas com picles tentei fazer graça... a gente sempre tenta fazer graça na vida, né? Pena que nem sempre se consegue... sei que ando chatão, mas é uma frente fria que está atravessando minha alma... oh, como eu sofro!

 O SACO E A FORMIGA

Era formiga. Tinha a mais absoluta certeza que aquele animal, ou inseto, seja lá que porra fosse, estava nos domínios de sua bolsa escrotal. Uma formiga pinicando o saco era a pior sensação do mundo. E não podia fazer nada. 15h28m50s. Banco lotado. Quinto ou sexto na fila. Não sabia mais. Não conseguia se concentrar no mundo à sua volta. Só pensava na maldita formiga fazendo a festa entre seus pentelhos. E se, disfarçadamente, enfiasse a mão e com duas ou três coçadas expulsasse a intrusa de lá? Alívio total. Mas olhou para o lado. A fila de clientes preferenciais estava grande. Vovós com seus cabelos brancos e roxos ficariam horrorizadas. 15h29m10s. A fila não andava. Um pingo de suor dividiu sua cara ao meio, indo da testa até o queixo. A formiga estava disposta a cavoucar todas as rugas para fazer não se sabe o que. Como a desgraçada chegou ali? Será que não conhecia a fábula com a sua rival, a cigarra? Em um saco não encontraria ração para se alimentar no inverno. Que tortura! A fila andou, 15h29m45s, o relógio não. Desespero! Cada vez mais não conseguia se controlar. Poderia pedir para alguém guardar lugar e ir ao banheiro. Seria fantástico baixar as calças e decretar caça à formiga. Com o dedão e o indicador, assassinaria, sem dó nem piedade, a cachorra! Ou melhor, a formiga! Seria ovacionado por todas as cigarras que se sentiriam vingadas com aquele ato. Foi quando sentiu outra picada. 15h29min50s. Suor frio. 29min51seg. Velhinhos debatendo sobre reumatismo e Poços de Caldas. 29min52seg. Coceira incontrolável. 53seg. Mais suor. 54seg. Fila empatada. 55seg. Criança chorando. 56seg. Mais velhinhos chegando. 57seg. Enxurrada de suor. 15h29min58s. Coceira absurda e desesperadamente incontrolável. 59seg. Suor. Coceira. Suor. Coceira. Suor. Coceira. Morra desgraçada! Eram exatos 15h30min. Silêncio geral! Velhos, crianças, deficientes e funcionários olhavam aquele homem alucinado arrancar as calças e coçar com ferocidade suas partes íntimas. 15h30m04s. Quatro segundos apenas para que ele caísse em si. Estava no centro de uma cena teatral, ou de um ataque epiléptico, ou, então, de um strip-tease, no mínimo, estranho para padrões convencionais. Não importa. Tinha se livrado da praga que o atormentava. Estava livre. Vestiu as calças e saiu porta afora, como se nada tivesse acontecido. 15h30m48s. Sentou no bar mais próximo totalmente descrente. 15h33m15s. Pediu uma cerveja. Estava envergonhado. Parecia que todos à sua volta riam do show-mico-pseudopornô de minutos antes. Mas qual não foi sua surpresa ao deparar com outra formiga rondando seu copo. Olhou-a por alguns instantes. Ela, a formiga, alheia a qualquer situação neste conturbado mundo, continuava seu passeio pela aba do copo. Coitada, pagou o pato! 15h35m35s. Foi ferozmente ingerida com cerveja e tudo rumo ao estômago do sujeito. Ele, feliz da vida, correu para o banco antes das 16hs. A conta precisava ser paga ainda hoje.



 Escrito por Torrente às 14h34
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Hoje não é festa no meu ap. Nem hoje nem nunca. Mas sempre é tempo de festas!



 Escrito por Torrente às 02h48
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CHOPE ME FAZ SENSÍVEL

Sabe quando se chega em casa, após alguns chopes? Eu estou exatamente assim: cheguei em casa com alguns chopes no organismo que me fazem crer que a vida é, sinceramente, bela. Muito bela. A vida é bela, já afirmava aquele nosso amigo, cineasta, que nos roubou o Oscar. Mas foda-se, não é?!? Oscars servem para causar injustiças. Quem votou na Gwyneth Paltrow e deixou nossa Fernanda a ver navios que o diga. Bem, mas o assunto não é esse. Na verdade nem lembro mais qual era o assunto. Tô alto, sim. Confesso, humilhado por não ser um duende.

 

Ainda ando meio sensível. Chorando a cada cinco minutos. A cada comercial de TV. A cada dobrar de esquina. Parece mentira, mas minha cachorra, a Meg, está com depressão. Gravidez psicológica. Somos dois. Eu não estou com gravidez psicológica, mas ando com uma depressão brava. Que me derruba. Já estou dando os indícios aqui. Não quero escrever. Não quero pensar. Não quero ser coerente e nem poeta. Quero um filho. Senão, morrerei!

 

Falo palavrão: merda, caralho, buceta cabeluda!!!

Foda-se tudo.

Fodam-se todos.

Não é revolta.

É aprendizado.

Engana-se quem pensa que o mundo presta. Lamento decepcionar. Mas o mundo não presta! Nossa família não presta. Nossos amigos muito menos. É a lei da sobrevivência, que desde o homem pré-histórico é válida.

 

E viva Cazuza!

Fui... prá nunca mais voltar!



 Escrito por Torrente às 02h59
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Da Última Célula Do Meu Coração

Dizem que escrevo bem. É por isso que hoje, mais do que nunca, recorro às palavras. Mesmo com a mais absoluta certeza que serei sacaneado por elas. Não ficarei preocupado em errar, seja gramaticalmente, seja digitadamente. É uma carta de amor. Ou melhor, uma carta para o amor. O meu. E desafiando a dor de cabeça que me consome há dois dias, tentarei dizer tudo aquilo que gostaria de falar cara a cara, mas não sei o quê. Como agora... Paro toda hora de teclar, ora por não saber, ora para passar a mão na fronte, a fim de que essa dor insuportável vá embora e eu consiga abrir os olhos totalmente.

 

Sei que ta foda! Eu tento respeitar seu silêncio e a vontade de, talvez, recolher-se. Mas não consigo. Se eu pudesse, daria minha mão para que tudo isso não passasse de um terrível pesadelo. E quando você acordasse, eu estaria ao seu lado, na cama, apertando seu corpo contra o meu e dizendo baixinho ao seu ouvido (claro, entre muitos beijinhos): “calma meu amor, foi só um sonho”! Mas, infelizmente, não possuo o dom do gênio que mora na lâmpada mágica. (... suspiro grande...) Eu sou apenas eu. Uma espécie de pequeno príncipe que chora porque se deixou cativar. Que se preocupa com o seu maior tesouro: o amor. Que quer proteger, cuidar, brincar, sorrir e nunca magoar. Que sente muita raiva de quem te faz sofrer. Que toma todas as suas dores, que roga a pior das pragas! Depois, esquece. Pede perdão ao universo ou a Deus. Dionísio, de preferência. Que embriaga e traz arte para nossas vidas.

 

Sei que não fui bem claro. E que disse nada com bosta nenhuma. Mas espero que a intenção tenha sido válida. Meu bico está enorme – daquele que emburra e joga o beiço para frente. E meu coração minúsculo. Caberia folgado em uma caixa de fósforos. E assim, poderia lhe dar como presente, se já não fosse seu. Daria qualquer coisa para ver um sorriso iluminando seu rosto. Aprenderia a fazer petit gateau ou cantar “teletema” para te fazer dormir. Abriria uma ONG para sua preservação e declamaria todos os versos românticos de Shakespeare na Praça Mauá ao meio-dia. Em inglês. Y love you. Sempre. Não esqueça disso. Nunca.



 Escrito por Torrente às 01h40
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A seguir o próximo texto do meu estudo. Aliás, tô ficando completamente louco com esse negócio. Acredito mesmo, que isso tudo deve estar sendo um saco para quem entra aqui e lê esses textos sem nexo. Mas, paciência! Vou parar com isso em breve, tomar vergonha na cara, ter um filho e plantar a tal da árvore.

 

 

Ensaio Número Três

 

 

Que parecia estranho, parecia. Vá lá, no mínimo diferente. Alguns poderiam achar que era, simplesmente, uma fase comum a qualquer criança. Outros, maturidade precoce. E havia os que acreditavam que era traquinagem de menina-moleca. A fama de que era da “pá virada” corria solta. Quem, senão ela, era capaz de jogar bola com os meninos e brigar aos socos e pontapés? Ao mesmo tempo em que sonhava com sapatilhas de ponta e saias de tule? Mas no fundo, talvez não fosse nada disso. Ou então, tudo isso. O fato é que aos doze anos começou a ler Karl Marx. Isso mesmo. O pai do socialismo. Daí para os outros tantos foi um pulo. Um pulo da menina que avança a última casa da amarelinha para chegar ao céu. A descoberta da vida quando se arranca o lenço que cobre os olhos na agonizante cobra-cega. E foi assim que enxergou o mundo de maneira sincera e verdadeira: lendo. Devorando tudo com sede de conhecimento. Lia. Lia. Lia e relia. Era um festival de Aristóteles, Tolstoi, Engels e Dostoievski. Poderia não estar entendendo muito bem aquelas palavras. Todo o sentido filosófico, os conceitos, estudos e considerações. Mas não era por ignorância. Sempre fora aluna nota dez. Talvez por entendimento de mundo. De uma situação na qual uma sociedade inteira era vítima da ganância de poucos. E aos doze anos, era essa a sua forma de lutar: através do estudo. Da informação. Da leitura. Foi assim que plantou a semente dentro de seu coração. A semente que mais tarde viria crescer e se transformar em uma bela rosa: viçosa, grande, vermelha e intensa.

 



 Escrito por Torrente às 16h57
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SUFOCANDO O CÓRTEX FRONTAL

Acabei de travar o maior dueto que a história da música já viu. Em uma tarde chuvosa como essa, para espantar a preguiça incontrolável que me ronda, o sono incontrolável que me ronda, a fome incontrolável que me ronda, a vontade incontrolável de fazer sexo que me ronda e tudo que me deixa deveras tonto de tanto me rondar, nada melhor do que colocar o DVD da Marisa Monte e cantar junto com ela.  Foi fantástico. Minha voz alcançou seu tom como ninguém ousaria. E todos os meus amigos vibravam na platéia. Ninguém gritava o nome dela. Apenas o meu. E assoviavam, mandavam beijos, gritavam, urravam, deliravam com minha performance ao lado da minha ídala. Beijos, amigos queridos! Obrigado pelo carinho! Também amo vocês!

 

Agora descobri que sou uma farsa.

Não por ter cantado com ela.

Mas por estar cansado.

Chorar porque chove.

Fumar dois cigarros.

Chorar por chorar.

Chorar.

Simplesmente.

E ainda tentar fazer poesia com isso.

E o que é pior: não conseguir!

Reptílico e límbico!

Ô mediocridade!

(Preciso mudar)



 Escrito por Torrente às 16h19
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A CONTINUAÇÃO...

Dando prosseguimento ao meu estudo, estou postando a continuação do texto anterior. Ele não se dá na ordem cronológica, mas sim, um momento antes da situação do último texto. Será que esclarece algo ou está muito confuso?!? Oh, dúvida cruel. Desculpem, mas eu preciso fazer isso. Preciso ver onde vai dar essa história (com "h" mesmo - é real!). Beijos a todos e muito obrigado pelas palavras e pela consideração.

 

Ensaio Número Dois

 

 

O casaco vermelho não contrastava em absolutamente nada com a situação atual. Pelo contrário. Parecia estar, propositalmente, querendo lhe alertar. Traduzir toda a situação com a qual estava envolvida: vermelho-revolução, vermelho-Rosa, vermelho-sangue. O sangue derramado de seus companheiros mortos e vivos. E ela estava viva. Mas se não fizesse algo imediatamente acabaria pagando com a vida toda a ideologia de um mundo livre e igual para todos. Enfiou as mãos no bolso do casaco e observou, ao longe, seu companheiro entrar no camburão policial. Mais um que estava sendo levado para algum lugar onde mãe nenhuma gostaria que seu filho fosse. Abaixou os olhos e deu meia volta. Sairia do país o mais rápido possível. Não tinha outro jeito. Se ficasse, não estaria colocando em risco apenas sua vida, mas a de toda uma Organização. E pensando nos objetivos dessa luta, decidiu deixar sua família, seus amigos e sua carreira. No auge. Mas o que adiantaria as luzes do estrelato e os privilégios da fama? Se sua estrela não poderia brilhar, sem lenço e sem documento na constelação de um céu verdadeiramente radiante e azul? Mas não houve tempo. Foi pega. Assim como aqueles outros famosos e anônimos que planejavam, lutavam e guerreavam. Assim como uma rosa que é, da maneira mais selvagem, arrancada do roseiral e jogada em um canto qualquer sem sua função de rosa: perfumar e embelezar. Não ofereceu resistência. As mãos se fecharam dentro do casaco vermelho e com muito medo, mas com a coragem dos fortes foi levada para o inferno. Onde rosa nenhuma poderia florescer.

 



 Escrito por Torrente às 16h17
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OUTRO PAPO!

Juro que não tem nada a ver com segredinhos adolescentes. Mas ainda não posso ser claro. O texto abaixo se refere a um estudo. E preciso muito da ajuda de quem passa por aqui e, carinhosamente, deixa algumas palavras. Quero saber o que deu para entender desse texto ou qual sentimento, curiosidade, qualquer coisa. Toda opinião é muito válida e super bem-vinda. ‘Brigadão a todos!

 

 

Ensaio Número Um

 

Por mais que tentasse era inútil. Não conseguia de jeito algum lembrar-se onde deixara suas sapatilhas. Nem sequer lembraria a última vez que as tinha usado. Certamente há muito tempo. E precisava tanto delas agora. Não que fosse usá-las novamente. Não poderia. Com as mãos e os pés amarrados seria impossível calçá-las. E muito menos enxergá-las. O lenço que apertava seus olhos a deixara mais cega que a própria escuridão. Mas se as sapatilhas estivessem ali poderia sonhar. Voar para o palco e dançar. Como nunca havia dançado antes. Totalmente livre. Mas para isso necessitava encontrar suas sapatilhas. Será que estariam escondidas na estante? Atrás dos valiosos escritos de Vianinha, Paulo Pontes e Marx? Junto aos livros de Dostoievski, Tolstoi e Shakespeare? “Há algo de podre no reino da Dinamarca!” Isso porque o mestre dos clássicos teatrais não conhecia o país onde ela nascera. Esse país que agora grita por liberdade. Assim como ela. Que estava presa a uma cadeira. Presa à violência de ditadores políticos e ao absurdo incondicional do “cale-se”. No escuro do pequeno quarto e de sua grande alma. Quis chorar. Mas estava fraca. Até para chorar era preciso ser forte. Até para chorar era preciso ser livre. Lembrou-se de Rosa. Rosa teria forças para chorar um mar de lágrimas. Mar. Lágrimas. Mas Rosa estava ao seu lado. Nunca a abandonara. Em todos os momentos Rosa a segurou como Deus seguraria o mundo. E agora, Rosa com a voz sempre firme, dizia-lhe sussurrando ao ouvido: “as sapatilhas nunca saíram dos seus pés”. 

 



 Escrito por Torrente às 16h54
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Essa semana o Luís publicou meu segundo texto no Crônica com Picles. Foi uma tentativa de fazer algo mais engraçado. Não deixem de conferir. E lembrando que toda semana tem uma crônica diferente e bem legal. Realmente, é um espaço muito bom! Aproveito para postar abaixo meu primeiro texto:

Como A Maioria Das Pessoas

 

Apaixonado que só ele. O suor frio percorria seu corpo toda vez que atravessava o portão do colégio. Não conseguia mais se concentrar nas aulas. Era uma tortura. Sua voz tremia e a mão mal conseguia segurar o giz para passar as lições no quadro negro. Ele era o professor. E a angustia que tinha em lecionar para aquele bando de alunos desinteressados se dissolvia como mágica bem treinada quando a aluna se dirigia a ele. Sim, amava sua aluna. De apenas doze anos. Era possível um homem de 53 amar uma criança? Claro que não, pensava ele consigo mesmo. Aliás, ele próprio era sua única companhia. Toda a vida. Nunca tinha tido mulher alguma. Sua mãe morrera cedo. Foi criado pela avó que também o deixou. E desde então decidiu ser alguém. Conseguiu. Era alguém. Solitário. Sozinho. Mas alguém. Tinha seus livros e a carreira acadêmica. Apenas. Isso tomava seu tempo. E a vida sempre lhe pregando alguma. E agora essa: sonhos e devaneios com uma aluna. Ela devia ser belíssima. Pelo menos, a voz era. E beleza para ele era bem diferente dos conceitos de feio e bonito. Não por gosto, mas porque nunca tinha visto uma mulher. Nem um homem. Nem um cachorro. Nem uma flor. O professor era cego. Um dia, munindo-se de coragem escreveu-lhe. Achou que a cegueira estava lhe deixando doido. Como uma menina poderia entender o significado de palavras tão... Como dizer? Sérias? Sinceras? Secretas? Ela entenderia, sim. Ao final da aula, chamou-a com a voz quase sumindo. Abriu bem os olhos. Mas via apenas a escuridão. Escuridão que a vida inteira foi sua fiel companheira. E no breu que agora lhe sufocava, sem saber se a aluna olhava para ele ou para o teto, enfiou a mão no bolso do paletó mal engomado e estendeu a dolorida carta. Silêncio. Sabia que ela ainda estava na sala. Imóvel. Podia ouvir seu coração. As batidas de ambos os corações. Cada tum tum ecoava entre as quatro paredes como um pesadelo em noite sem luar. E agora? Foi quando ele resolveu dar um passo na direção dela. A aluna, percebendo o que poderia acontecer, e talvez prevendo as amargas palavras daquele papel amassado, saiu correndo porta afora. O professor lá ficou. Com a mão estendida. Segurando sua esperança que o deixou, literalmente, na mão. Seus olhos não vêem o que todos vêem. Seus olhos vêem além. Seus olhos sentem. Percebem e traduzem a linguagem universal dos sentimentos. E naquelas frenéticas batidas de corações teve a perfumada certeza que ela também o amava. E essa “verdade” foi suficiente para que ele partisse desta para melhor. Sim, ele se matou algumas horas depois. Estava feliz. Descobrira o doce sabor do primeiro amor. Não consumado. Mas recíproco. E isso lhe bastou.

 



 Escrito por Torrente às 14h41
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Depoimento de Rita Lee...

Quando a Rita Lee saiu do programa "Saia Justa" da GNT, perdeu a graça. Não que eu não curta um assunto sério. Mas o papo sempre extremamente cabeça da Fernanda Young, o eterno tom jornalístico da Mônica Waldvogel e a chatice crônica da Marisa Orth não rola sem as tiradas da sempre boa tia Rita. Mas não vou falar sobre o programa. Vou colocar tia Rita na parede. Mesmo sabendo que ela mandaria eu ir me fuder, pois ela caga e anda de verde e amarelo! Segue abaixo um depoimento bonito que ela escreveu sobre o seu sexo, o feminino! Estou muito longe de ser machista, mas ela pegou pesado! Mulher é bacana, mas não é santa! Mulher não carrega o mundo nas costas nem aqui e nem na China! E nunca carregou! E nem vai carregar! Podemos dividir a tarefa, mas sempre a parte pesada vai ficar pro homem! Bom, o depoimento:

"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem. Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente; esqueceu, morrendo tuberculosa. Estes episódios marcaram para sempre e a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres; as baixinhas, as gordas, as de óculos; um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do minismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza.Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer à ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda."

Rita Lee


 Escrito por Torrente às 01h49
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apenas um teste descompromissado com qualquer coisa

O momento da inspiração

 

!!!Esta tela em branco é como a tela de um quadro à espera do pincel e das tintas. À espera da alma. Se o espírito não tem nada prá dizer, a tela continua em branco. E se der vontade de colocar qualquer coisa desvairadamente?!? Seguindo impulsos?!? Esse teclado na minha frente. Essas letras. Dígitos números fala comunicação internet word barulho de moto passando na rua calor estrela breu cama ar condicionado marisa monte vinho cerveja coca light cha de sete ervas beijo caixa preta quarta parede vai vai vai vai vai vai vai e agora o que eu faço espera dorme acorda levanta deita senta anda anda anda anda pinta transpõe sugere cria cria cria cria tem não tem há há há há jornal bravo letras letras letras letras letras historias celular mente mentira mente cabeça pensamento voa voa voa voa voa arte olhar novo moderno pos-moderno pop moral imoral mãe que interrompe fim



 Escrito por Torrente às 01h28
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Crônica Com Picles

Agora pegou de vez. Escrevi uma crônica para um novo espaço que o Luís César (Personas - linkado ao lado) inaugurou. É o Crônica com Picles. Como o nome diz, é um blog de crônicas de autores despretensiosos, como eu. Confesso que fiquei com o maior cagaço no início. Mas depois de conversar com ele (sempre via e-mail) e com outras pessoas, dei uma leve relaxada. E hoje já está lá, meu primeiro texto ficcional e “sério”. Um pânico! Estou suando de ansiedade. Minhas axilas estão ensopadas. E meu couro cabeludo não para de expulsar os poucos fios que ainda restam. Não queria, mas sou assim. Publicar algo é uma exposição grande. Ficar à mercê de todos os tipos de comentários. Isso me incomoda. Parece que estou nu no palanque do presidente. É um ponto fraco, confesso humildemente. Mas enfim, no reclamation!

 

Gostaria que vocês dessem uma conferida. Gostaria mesmo que vocês curtissem de verdade. Mas se não gostarem, sintam-se à vontade para criticar. Prometo que vou me esforçar para melhorar a cada texto.

 

O endereço é www.cronicacompicles.zip.net

 

Aguardo vocês! Beijo a todos.



 Escrito por Torrente às 22h41
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Poeeeeeeeeeeeiraaaaaaaa...

Eu sei que sofri mas não deixo de amar. Esse verso manjado da também manjada música do Roberto contrastava na balsa que faz a travessia Ilhabela/São Sebastião. Dentro do carro eu chorava como criança. Olhando o mar e cantando Emoções. No lado oposto, a Sangalo mandava meia dúzia de adolescentes levantar poeira. Berrando. E eles, fazendo a coreografia corretíssimos. Animadíssimos. O que eu podia fazer se Roberto Carlos me emociona sempre? Mesmo quando ele coloca uma cadeira vazia no palco para a Maria Rita, morta há alguns anos. É lindo. Louco, mas lindo. Era quase uma da manhã. Eu já tinha tomado todas e a essa altura só o rei para entender o que se passava no meu interior.

 

Mas não era carnaval?!?

Sim, era carnaval.

 

E como eu disse, anteriormente, tô me encontrando no carnaval popular. Em São Sebastião não faltou nada. Na pracinha da igreja com coreto e tudo. As antigas marchinhas e nós lá no meio. Irreconhecíveis e incógnitos. Jogando serpentina no tiozinho da pipoca. Na avenida principal o desfile das escolas de samba. A porta-bandeira que não ria nem por um decreto, a madrinha da bateria que não se acertava com a sandália de salto e o motorista da “kombi alegórica” que não parava de bocejar ao volante. Foliões sem lenço e sem documento se acotovelando na única sorveteria que tinha TV. Não era para acompanhar o desfile das escolas cariocas. Queriam ver o médico asqueroso do Big Brother ser eliminado como praga nociva para o bem da humanidade. Eu estava lá. E na alegria geral foi impossível não bater palmas quando o Bial disse: 92% dos votos... É bom ser do povo! Chorar com a Portela se fudendo. E rezar para não ser rebaixada.

 

Acho que até os famosos borrachudos de Ilhabela estavam dormindo de tarde. A praia estava livre deles. Claro, que sempre tem um ou outro louco para sugar um tiquinho de sangue, mas nada que um tapa certeiro não resolvesse.  Mas tenho que comentar sobre a sensação da praia: Viviane! Às oito da matina ela já estava completamente pronta. Fator solar 15 nas pernas, 20 nos braços e 30 no rosto. Mais uma camada de repelente no corpo todo. Além do batom cobre para combinar com o bronzeado. A cada dia era uma surpresa vê-la. Variados biquínis, de bolinhas, xadrezinhos ou com flores aplicadas. A canga combinando com os tamancos e o chapéu com a bolsa. E o coitado do Fabiano atrás. “Fabiano, pega a cadeira”, “Fabiano olha a térmica com as cervejas”, “Fabiano, cuidado com a toalha na areia”. E o quiosque do Bacardi com Coca-Cola e Limão bombava. E novamente a Ivete mandava todo mundo levantar poeira. Coitada. Ela não conhece a Viviane.

 

Mas acabou. Só ano que vem. Agora o ano começa de fato. Agora a música do rei fala mais alto ainda. Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi... ane! 



 Escrito por Torrente às 01h33
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